Teria Isaías andado completamente nu?

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isaias_200_200[1]

Devido a importância da questão levantada na postagem Examinando uma das práticas de TB Joshua à luz da Bíblia, pretendo responder aos questionamentos não por meio de comentários, mas dando uma atenção especial ao assunto em apreço, obviamente que existem outros casos semelhantes na Bíblia, mas tomaremos o de Isaías 20.2 em separado e o exame dele satisfará pelas condições aos demais...

Antes de mais nada, quero dizer que é com temor diante de Deus que retomo este assunto, e para quem acha que darei início a intermináveis debates sobre o assunto em questão, já adianto que não discuto teologia, nem Bíblia com ninguém e quem tentar fazer isso aqui no Blog ficará sem resposta. Inclusive, tenho procurado gastar mais tempo com a questão prática do Reino de Deus do que com as questões teóricas, que o envolvem, prova disto é a minha freqüência de postagens. Particularmente acredito que existem muitas pessoas perdidas pelo planeta afora deixando o mundo para uma eternidade sem Deus, sem salvação para que nós os cristãos, gastemos nosso tempo expondo conhecimentos uns perante os outros apenas para nos satisfazermos. Acredito ainda que se houvessem mais crentes verdadeiramente salvos e gratos a Cristo por sua salvação e a evidência disso é o desejo de espalhar a Palavra, do que teólogos de banco com seus intermináveis debates o inferno seria menos povoado. Portanto, que fique claro que a minha resposta não tem a intenção de “desbancar” a ninguém, mas tão somente faço uso do direito de resposta como uma nova oportunidade de trazer a Bíblia para o centro do assunto e esclarecer os próximos que lerão as postagens relacionadas. Oro para que o Espírito Santo desperte a mim e ao povo que fará parte da Seara do nosso Senhor, tirando-o detrás das bancadas de debates, dos gabinetes, das colunas de revistas, dos bancos de igrejas, dos púlpitos, da mídia, de onde quer que eles estejam acomodados fazendo o que não tem a ver com o Ide de Jesus em Mateus 28.19.

Retomo aqui a frase que usei na conclusão da matéria em questão onde digo que: os fins nunca justificam os meios, e como deixei claro, a questão não é a cura que o homem tenha ou não recebido e por meio de quem ou que poder ela teria sido realizada, isso ficou patente na postagem, porquanto o propósito do artigo foi examinar mediante a Bíblia, carta Magna do cristão, a postura de expor o nosso semelhante, nu, num momento de extrema fragilidade emocional para a televisão. Visto que naquelas condições, aquele homem  realmente aceitaria submeter-se a qualquer situação desde que sua condição pudesse vir a mudar. 

Foi dito que, os fins nunca justificam os meios, e para exemplificar na Bíblia, voltamos para a Palavra de Deus, porquanto ela é nossa regra de fé e prática, e se isso não for autêntico, desnecessária se faz qualquer argumentação. Vejamos o episódio de Atos 19.9-20, que nos dá conta dos sete filhos de um dos principais dos sacerdotes, chamado Ceva, que, sendo judeus não professos a Cristo tentaram usar o poder que há no nome Dele para expulsar demônios. O que foi que lhes aconteceu?  Foram absolutamente envergonhados! Mas alguém poderia perguntar: eles não estavam dizendo no nome do Senhor? Não disseram em nome de nenhum outro, nem ídolo, nem Cézar, nem governador, nem sacerdote, mas no nome que tem todo o poder. Entretanto, como eles não tinham pelo Espírito de Deus o direito de usar o poder daquele nome tomando atalhos, e isso sem confessarem a Cristo primeiramente em suas próprias vidas, ou seja, os fins, que eram expulsar os demônios e libertar pessoas oprimidas, não foram suficientes para explicar os meios (as formas com que agiram usando o nome que não lhes era digno usar), muito embora aparentemente fosse uma causa bastante nobre, libertar vidas opressas por espíritos imundos. Qual foi o resultado da vergonha que caiu sobre eles?  Glória a Deus por isso! Temor! Temor para a salvação daqueles que presenciaram o episódio, como nos dão conta os versículos 17 a 20.  E tudo culminou na salvação de muitas almas, não tendo ficado reduzido o episódio  a algumas cenas de exorcismo. Aliás, diga-se de passagem, tudo o que Deus faz em relação ao homem está voltado para a sua salvação, por mais que Ele atue em muitos pormenores em sua vida.  Quanto ao episódio de Marcos apontado, ele nos dá conta de que os homens conseguiam expulsar os demônios, ou seja, eram discípulos dos ensinamentos de Cristo porque usaram a autoridade do nome de Cristo para fazerem o mesmo que os filhos de Ceva não conseguiram e não foram envergonhados, doutra maneira a Palavra teria feito menção ao fato. Por isso a resposta de Jesus: Não lho proibais; porque ninguém há que faça milagre em meu nome e possa logo falar mal de mim.

Quanto ao comentário que traz menção a homens na Bíblia profetizando “nus”, ou andando “nus”, devemos tomar cuidado com as nossas idéias pré-concebidas ao nos referirmos à Palavra de Deus, e este é um dos princípios basilares da Hermenêutica. Muito pelo contrário, devemos lembrar que existe um abismo cultural entre o povo e as terras bíblicas e os tempos hodiernos, e procurar compreender os textos em seu contexto histórico, pelo prisma do autor e dos receptores da época, bem como seus propósitos. 

O dicionário Bíblico Wycliffe traz a seguinte matéria sobre as vestimentas dos judeus, (como o assunto é bastante extenso, me aterei apenas a questão das vestes internas e externas).

A peça de vestuário interna. A túnica ou blusa (heb. k'tonet', gr. chiton) era uma peça principal e comum usada sobre a pele por homens e mulheres; era longa e um tanto justa (e não deve ser traduzida como "casaco"). O material usado era couro, tecido de crina, lã, linho ou, nos tempos modernos, geralmente algodão. Esta peça do vestuário era provavelmente feita em duas partes laterais, que eram costuradas juntas. O tipo mais simples era sem mangas, chegando apenas até os joelhos. Uma faixa ou cinta usada ao redor da cintura permitia que a pessoa colocasse a parte mais baixa da túnica embaixo da mesma para poder movimentar-se livremente (Jr 1.17; 1ª Pe 1.13). Um outro tipo usado pelas pessoas mais favorecidas chegava aos punhos e tornozelos. Este era provavelmente o tipo usado por José (Gn 37.3,23), Tamar (2 Sm 13.18), e pelos sacerdotes (Ex 28.4,39). A peça de vestuário que Jacó deu a José (Gn 37.3), embora referida como "túnica de várias cores", pode bem ter sido uma peça com mangas. Esta pode ter sido também uma marca da aristocracia, já que as classes operárias geralmente usavam túnicas sem mangas. A peça de roupa interna era usada tanto por mulheres como por homens (Ct 5.3), embora não houvesse dúvida na diferença de estilo e de padrão. A túnica (chiton, traduzida como "casaco" na versão KJV em inglês) é a peça de vestuário mencionada em Lucas 3.11; 6.29; 9.3 (também em passagens paralelas), e em Atos 9.39. As classes inferiores frequentemente usavam apenas a túnica na época do calor. Os membros das classes mais elevadas usavam uma peça de roupa externa quando recebiam visitantes ou quando saíam, embora pudessem usar apenas a túnica enquanto estivessem em casa. Um tipo particular de peça de vestuário interna era o sadin, um pedaço de linho branco de boa qualidade para ser enrolado ao redor do corpo (Jz 14.12,13; Pv 31.24; Is 3.23). O Termo "nu" era frequentemente usado como uma referência aos homens que estivessem vestidos somente com a túnica. Isto foi dito sobre Saul (l Sm 19.24) quando tirou suas peças de roupa exteriores; de Isaías (Is 20.2), depois de ter tirado sua capa; de um guerreiro (Am 2.16) quando tirou sua capa militar; e de Pedro (Jo 21.7) quando estava sem sua capa de pescador.

A túnica ou manto externo (heb. mf'íi). Esta era uma túnica mais folgada e mais longa, que chegava até os pés. Era aberta na parte superior de forma que podia ser vestida pela cabeça. Também tinha orifícios para a inserção dos braços. Cobrir uma mulher com a "saia" de alguém (kanap) ou com a borda (ou orla) do manto de alguém (l Sm 15.27; 24.4,5) simbolizava proteção e o direito ao casamento (Rt 3.9). Levantar a orla das vestes do pai (ou "descobrir a nudez do pai") significava deitar-se com a mãe ou com a madrasta, o que era proibido (Dt 22.30; 27.20). As Escrituras indicam o uso da túnica ou manto pelos reis (l Sm 24.4), pelos nobres (Jó 1.20), pelos profetas (l Sm 28.14), e algumas vezes pelos jovens (l Sm 2.19). Contudo, estas passagens podem referir-se a qualquer manto vestido sobre a peça de vestuário interna. Todavia, quando duas túnicas são mencionadas como sendo usadas ao mesmo tempo (Lc 3.11), a segunda seria a túnica externa. Embora os viajantes em geral usassem duas túnicas, os discípulos eram proibidos de fazê-lo (Mt 10.10; Lc 9.3). A túnica sem costura usada por Nosso Senhor (Jo 19.23) pode ter sido deste tipo externo. Evidentemente, esta peça de vestuário era opcional, sendo usada pelas classes mais elevadas, ou ocasionalmente substituídas pela peça de roupa externa.

O Dicionário de Teologia do Antigo Testamento traz a seguinte explicação para a expressão nu:

'ãrôm. Nu. Esta palavra deriva de 'úr II, "estar à vista das pessoas", e nesse caso seria uma forma secundária de 'êrõm, "nu", ou então da raiz 'ãrâ, "estar nu" (q.v.), da qual provavelmente é uma variante. Conquanto muitas vezes a palavra indique nudez (Gn 2.25; l Sm 19.24; Is 20.2; Mq 1.8), também indica a condição de estar exposto, isto é, estar à vista das pessoas, o que aponta para uma falta de encobrimento e disfarce (Jó 26.6) e de recursos (Am 2.16).

Frequentemente a nudez indicada por essa palavra tem um significado simbólico. A ausência de constrangimento por parte de Adão e Eva em face de sua nudez sugere inocência (Gn 2.25). Isaías andou (um verbo frequentemente empregado com 'ãrôm) nu (provavelmente não uma nudez completa, mas simplesmente o estar sem as roupas exteriores; veja-se KD acerca de Is 20) como um presságio de prisioneiros egípcios sendo levados cativos pelos vitoriosos assírios (Is 20.2, 3, 4). Da mesma forma, segundo o relato de l Samuel 19.24, Saul provavelmente não esteve nu, mas, pelo poder do Espírito de Deus, tirou os mantos reais e especialmente a espada, de modo que Davi pôde ir embora em segurança. A nudez dos pobres é uma indicação de opressão (Jó 24.7, 10; Is 58.7). Sua capa fora tomada como depósito em garantia (Jó 24.9) e não fora devolvida à noite (Êx 22.25, 26, 27 [26, 27, 28]). É possível que Oséias 2.3 esteja aludindo a um costume mencionado nas tábuas de Nuzi, segundo o qual as crianças eram chamadas a arrancar a roupa da mãe quando ela era mandada embora por causa de adultério. De igual forma o Senhor procederia com sua esposa adúltera, Israel.
Este vocábulo também indica a falta de recursos. Jó, após ser afligido por Satanás e agora reduzido a nada, comenta que assim saiu do ventre de sua mãe e assim voltaria ao ventre da terra (Jó 1.21 = Ec 5.15 [14]). Amos 2.6 descreve um homem que, quando depara com a visitação divina, se vê despojado de sua coragem.

Um uso interessantíssimo da palavra é a afirmação de que o Sheol está nu diante de Deus, ou seja, está ao alcance da jurisdição e do interesse divinos (Jó 26.6; cf. SI 139.7, S; Pv 15.11; Am 9.2). O conhecimento e o cuidado divinos alcançam até mesmo o mundo dos mortos.

A Bíblia de Estudo Pentecostal traz em sua nota de Estudo em Isaías 20.2:

Isaías… Sinal e prodígio. Isaías devia aparecer em público, sem as suas vestes externas durante três anos, como uma parábola viva ou sinal daquilo que ia acontecer ao Egito e a Cuxe, quando a Assíria os levasse em cativeiro. A mensagem tinha o propósito de advertir Judá para não confiar em aliança com o Egito, e exortá-lo a depender do seu Deus.

O Antigo Testamento Interpretado Versículo por Versículo de R.N Champlin, comenta semelhantemente o texto em Isaías 20.2:

Isaías deveria desnudar-se, mas provavelmente não de maneira completa. É difícil imaginar o profeta andando em público, durante três anos, completamente despido! Antes, durante esse período, ele não usou a túnica externa de pano de saco (que também" foi a veste usada por Elias; ver II Reis 1.8). E o profeta também andava descalço. Essa era uma lição objetiva sobre como os assírios tratariam os egípcios e os cuxitas. Eles seriam despidos e exibidos como insensatos perante todo o mundo. O próprio Yahweh deu e confirmou o sinal, que também foi descrito como "maravilha" e "portento" (Revised Standard Version) contra o Egito e a Etiópia. Cada vez que alguém visse o profeta caminhar sem sandálias e meio despido,  suas profecias seriam relembradas: era inútil uma aliança contra a Assíria, e certamente Judá deveria evitá-la.

A nudez se confinava ao desuso da túnica externa, em que a pessoa aparecia na túnica curta, usada perto da pele (ver l Sam. 19.24; II Sam. 6.14-20; João 21.7). Instâncias semelhantes de simbolismos proféticos foram os chifres usados por Jeremias (Jer. 27.2), o ficar deitado de lado por parte de Ezequiel (Ez. 4.4), e o cinto com o qual Ágabo se amarrou (Atos 21.11)".

Nossa conclusão, valendo-nos dos auxílios extra-bíblicos citados acima oportunamente, e fazendo a devida consideração do texto de Isaías 20.2, dentro do perfil moral e ético da Bíblia para os padrões de comportamento e santidade que o próprio Deus tencionou que o homem observasse, Bíblia esta que traz os ditames morais de Deus para a humanidade, imitados inclusive pela legislação de várias nações, torna-se inviável o considerar o fato de que Deus tenha realmente mandado que Isaías ficasse completamente nu. Além disso, ao examinar o texto de Isaías 20.2, dentro de seu contexto e ao colocá-lo em conformidade com o restante da Bíblia, temos conhecimento de que a palavra nudez ali empregada, não faz alusão à ausência de qualquer roupa por parte de Isaías e nem mesmo nos casos semelhantes mencionados no comentário, com exceção de Gênesis em si tratando do estado de inocência de Adão e Eva, porque a Bíblia se explica pela Bíblia, mas a Bíblia a si mesma não se contradiz. Por isso, é provável que o profeta foi ordenado a andar sem a sua túnica externa que o identificava como um profeta entre o povo.

Vale lembrar também que aparentes contradições podem surgir de leituras ou interpretações apressadas em relação aos textos bíblicos, como o que ocorre entre os textos:

Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor.( Romanos 12:19). Aqui a Bíblia manda dar lugar à ira.

Sabeis estas coisas, meus amados irmãos. Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar. Porque a ira do homem não produz a justiça de Deus.(Tiago 1:18-20). Mas aqui ela já fala que a ira do homem não opera a justiça de Deus?

Entretanto, uma leitura mais cuidadosa de ambos os textos os deixará em plena conformidade um com o outro e com o restante do conteúdo Bíblico.

 

isaias_200_200[1]

Devido a importância da questão levantada na postagem Examinando uma das práticas de TB Joshua à luz da Bíblia, pretendo responder aos questionamentos não por meio de comentários, mas dando uma atenção especial ao assunto em apreço, obviamente que existem outros casos semelhantes na Bíblia, mas tomaremos o de Isaías 20.2 em separado e o exame dele satisfará pelas condições aos demais...

Antes de mais nada, quero dizer que é com temor diante de Deus que retomo este assunto, e para quem acha que darei início a intermináveis debates sobre o assunto em questão, já adianto que não discuto teologia, nem Bíblia com ninguém e quem tentar fazer isso aqui no Blog ficará sem resposta. Inclusive, tenho procurado gastar mais tempo com a questão prática do Reino de Deus do que com as questões teóricas, que o envolvem, prova disto é a minha freqüência de postagens. Particularmente acredito que existem muitas pessoas perdidas pelo planeta afora deixando o mundo para uma eternidade sem Deus, sem salvação para que nós os cristãos, gastemos nosso tempo expondo conhecimentos uns perante os outros apenas para nos satisfazermos. Acredito ainda que se houvessem mais crentes verdadeiramente salvos e gratos a Cristo por sua salvação e a evidência disso é o desejo de espalhar a Palavra, do que teólogos de banco com seus intermináveis debates o inferno seria menos povoado. Portanto, que fique claro que a minha resposta não tem a intenção de “desbancar” a ninguém, mas tão somente faço uso do direito de resposta como uma nova oportunidade de trazer a Bíblia para o centro do assunto e esclarecer os próximos que lerão as postagens relacionadas. Oro para que o Espírito Santo desperte a mim e ao povo que fará parte da Seara do nosso Senhor, tirando-o detrás das bancadas de debates, dos gabinetes, das colunas de revistas, dos bancos de igrejas, dos púlpitos, da mídia, de onde quer que eles estejam acomodados fazendo o que não tem a ver com o Ide de Jesus em Mateus 28.19.

Retomo aqui a frase que usei na conclusão da matéria em questão onde digo que: os fins nunca justificam os meios, e como deixei claro, a questão não é a cura que o homem tenha ou não recebido e por meio de quem ou que poder ela teria sido realizada, isso ficou patente na postagem, porquanto o propósito do artigo foi examinar mediante a Bíblia, carta Magna do cristão, a postura de expor o nosso semelhante, nu, num momento de extrema fragilidade emocional para a televisão. Visto que naquelas condições, aquele homem  realmente aceitaria submeter-se a qualquer situação desde que sua condição pudesse vir a mudar. 

Foi dito que, os fins nunca justificam os meios, e para exemplificar na Bíblia, voltamos para a Palavra de Deus, porquanto ela é nossa regra de fé e prática, e se isso não for autêntico, desnecessária se faz qualquer argumentação. Vejamos o episódio de Atos 19.9-20, que nos dá conta dos sete filhos de um dos principais dos sacerdotes, chamado Ceva, que, sendo judeus não professos a Cristo tentaram usar o poder que há no nome Dele para expulsar demônios. O que foi que lhes aconteceu?  Foram absolutamente envergonhados! Mas alguém poderia perguntar: eles não estavam dizendo no nome do Senhor? Não disseram em nome de nenhum outro, nem ídolo, nem Cézar, nem governador, nem sacerdote, mas no nome que tem todo o poder. Entretanto, como eles não tinham pelo Espírito de Deus o direito de usar o poder daquele nome tomando atalhos, e isso sem confessarem a Cristo primeiramente em suas próprias vidas, ou seja, os fins, que eram expulsar os demônios e libertar pessoas oprimidas, não foram suficientes para explicar os meios (as formas com que agiram usando o nome que não lhes era digno usar), muito embora aparentemente fosse uma causa bastante nobre, libertar vidas opressas por espíritos imundos. Qual foi o resultado da vergonha que caiu sobre eles?  Glória a Deus por isso! Temor! Temor para a salvação daqueles que presenciaram o episódio, como nos dão conta os versículos 17 a 20.  E tudo culminou na salvação de muitas almas, não tendo ficado reduzido o episódio  a algumas cenas de exorcismo. Aliás, diga-se de passagem, tudo o que Deus faz em relação ao homem está voltado para a sua salvação, por mais que Ele atue em muitos pormenores em sua vida.  Quanto ao episódio de Marcos apontado, ele nos dá conta de que os homens conseguiam expulsar os demônios, ou seja, eram discípulos dos ensinamentos de Cristo porque usaram a autoridade do nome de Cristo para fazerem o mesmo que os filhos de Ceva não conseguiram e não foram envergonhados, doutra maneira a Palavra teria feito menção ao fato. Por isso a resposta de Jesus: Não lho proibais; porque ninguém há que faça milagre em meu nome e possa logo falar mal de mim.

Quanto ao comentário que traz menção a homens na Bíblia profetizando “nus”, ou andando “nus”, devemos tomar cuidado com as nossas idéias pré-concebidas ao nos referirmos à Palavra de Deus, e este é um dos princípios basilares da Hermenêutica. Muito pelo contrário, devemos lembrar que existe um abismo cultural entre o povo e as terras bíblicas e os tempos hodiernos, e procurar compreender os textos em seu contexto histórico, pelo prisma do autor e dos receptores da época, bem como seus propósitos. 

O dicionário Bíblico Wycliffe traz a seguinte matéria sobre as vestimentas dos judeus, (como o assunto é bastante extenso, me aterei apenas a questão das vestes internas e externas).

A peça de vestuário interna. A túnica ou blusa (heb. k'tonet', gr. chiton) era uma peça principal e comum usada sobre a pele por homens e mulheres; era longa e um tanto justa (e não deve ser traduzida como "casaco"). O material usado era couro, tecido de crina, lã, linho ou, nos tempos modernos, geralmente algodão. Esta peça do vestuário era provavelmente feita em duas partes laterais, que eram costuradas juntas. O tipo mais simples era sem mangas, chegando apenas até os joelhos. Uma faixa ou cinta usada ao redor da cintura permitia que a pessoa colocasse a parte mais baixa da túnica embaixo da mesma para poder movimentar-se livremente (Jr 1.17; 1ª Pe 1.13). Um outro tipo usado pelas pessoas mais favorecidas chegava aos punhos e tornozelos. Este era provavelmente o tipo usado por José (Gn 37.3,23), Tamar (2 Sm 13.18), e pelos sacerdotes (Ex 28.4,39). A peça de vestuário que Jacó deu a José (Gn 37.3), embora referida como "túnica de várias cores", pode bem ter sido uma peça com mangas. Esta pode ter sido também uma marca da aristocracia, já que as classes operárias geralmente usavam túnicas sem mangas. A peça de roupa interna era usada tanto por mulheres como por homens (Ct 5.3), embora não houvesse dúvida na diferença de estilo e de padrão. A túnica (chiton, traduzida como "casaco" na versão KJV em inglês) é a peça de vestuário mencionada em Lucas 3.11; 6.29; 9.3 (também em passagens paralelas), e em Atos 9.39. As classes inferiores frequentemente usavam apenas a túnica na época do calor. Os membros das classes mais elevadas usavam uma peça de roupa externa quando recebiam visitantes ou quando saíam, embora pudessem usar apenas a túnica enquanto estivessem em casa. Um tipo particular de peça de vestuário interna era o sadin, um pedaço de linho branco de boa qualidade para ser enrolado ao redor do corpo (Jz 14.12,13; Pv 31.24; Is 3.23). O Termo "nu" era frequentemente usado como uma referência aos homens que estivessem vestidos somente com a túnica. Isto foi dito sobre Saul (l Sm 19.24) quando tirou suas peças de roupa exteriores; de Isaías (Is 20.2), depois de ter tirado sua capa; de um guerreiro (Am 2.16) quando tirou sua capa militar; e de Pedro (Jo 21.7) quando estava sem sua capa de pescador.

A túnica ou manto externo (heb. mf'íi). Esta era uma túnica mais folgada e mais longa, que chegava até os pés. Era aberta na parte superior de forma que podia ser vestida pela cabeça. Também tinha orifícios para a inserção dos braços. Cobrir uma mulher com a "saia" de alguém (kanap) ou com a borda (ou orla) do manto de alguém (l Sm 15.27; 24.4,5) simbolizava proteção e o direito ao casamento (Rt 3.9). Levantar a orla das vestes do pai (ou "descobrir a nudez do pai") significava deitar-se com a mãe ou com a madrasta, o que era proibido (Dt 22.30; 27.20). As Escrituras indicam o uso da túnica ou manto pelos reis (l Sm 24.4), pelos nobres (Jó 1.20), pelos profetas (l Sm 28.14), e algumas vezes pelos jovens (l Sm 2.19). Contudo, estas passagens podem referir-se a qualquer manto vestido sobre a peça de vestuário interna. Todavia, quando duas túnicas são mencionadas como sendo usadas ao mesmo tempo (Lc 3.11), a segunda seria a túnica externa. Embora os viajantes em geral usassem duas túnicas, os discípulos eram proibidos de fazê-lo (Mt 10.10; Lc 9.3). A túnica sem costura usada por Nosso Senhor (Jo 19.23) pode ter sido deste tipo externo. Evidentemente, esta peça de vestuário era opcional, sendo usada pelas classes mais elevadas, ou ocasionalmente substituídas pela peça de roupa externa.

O Dicionário de Teologia do Antigo Testamento traz a seguinte explicação para a expressão nu:

'ãrôm. Nu. Esta palavra deriva de 'úr II, "estar à vista das pessoas", e nesse caso seria uma forma secundária de 'êrõm, "nu", ou então da raiz 'ãrâ, "estar nu" (q.v.), da qual provavelmente é uma variante. Conquanto muitas vezes a palavra indique nudez (Gn 2.25; l Sm 19.24; Is 20.2; Mq 1.8), também indica a condição de estar exposto, isto é, estar à vista das pessoas, o que aponta para uma falta de encobrimento e disfarce (Jó 26.6) e de recursos (Am 2.16).

Frequentemente a nudez indicada por essa palavra tem um significado simbólico. A ausência de constrangimento por parte de Adão e Eva em face de sua nudez sugere inocência (Gn 2.25). Isaías andou (um verbo frequentemente empregado com 'ãrôm) nu (provavelmente não uma nudez completa, mas simplesmente o estar sem as roupas exteriores; veja-se KD acerca de Is 20) como um presságio de prisioneiros egípcios sendo levados cativos pelos vitoriosos assírios (Is 20.2, 3, 4). Da mesma forma, segundo o relato de l Samuel 19.24, Saul provavelmente não esteve nu, mas, pelo poder do Espírito de Deus, tirou os mantos reais e especialmente a espada, de modo que Davi pôde ir embora em segurança. A nudez dos pobres é uma indicação de opressão (Jó 24.7, 10; Is 58.7). Sua capa fora tomada como depósito em garantia (Jó 24.9) e não fora devolvida à noite (Êx 22.25, 26, 27 [26, 27, 28]). É possível que Oséias 2.3 esteja aludindo a um costume mencionado nas tábuas de Nuzi, segundo o qual as crianças eram chamadas a arrancar a roupa da mãe quando ela era mandada embora por causa de adultério. De igual forma o Senhor procederia com sua esposa adúltera, Israel.
Este vocábulo também indica a falta de recursos. Jó, após ser afligido por Satanás e agora reduzido a nada, comenta que assim saiu do ventre de sua mãe e assim voltaria ao ventre da terra (Jó 1.21 = Ec 5.15 [14]). Amos 2.6 descreve um homem que, quando depara com a visitação divina, se vê despojado de sua coragem.

Um uso interessantíssimo da palavra é a afirmação de que o Sheol está nu diante de Deus, ou seja, está ao alcance da jurisdição e do interesse divinos (Jó 26.6; cf. SI 139.7, S; Pv 15.11; Am 9.2). O conhecimento e o cuidado divinos alcançam até mesmo o mundo dos mortos.

A Bíblia de Estudo Pentecostal traz em sua nota de Estudo em Isaías 20.2:

Isaías… Sinal e prodígio. Isaías devia aparecer em público, sem as suas vestes externas durante três anos, como uma parábola viva ou sinal daquilo que ia acontecer ao Egito e a Cuxe, quando a Assíria os levasse em cativeiro. A mensagem tinha o propósito de advertir Judá para não confiar em aliança com o Egito, e exortá-lo a depender do seu Deus.

O Antigo Testamento Interpretado Versículo por Versículo de R.N Champlin, comenta semelhantemente o texto em Isaías 20.2:

Isaías deveria desnudar-se, mas provavelmente não de maneira completa. É difícil imaginar o profeta andando em público, durante três anos, completamente despido! Antes, durante esse período, ele não usou a túnica externa de pano de saco (que também" foi a veste usada por Elias; ver II Reis 1.8). E o profeta também andava descalço. Essa era uma lição objetiva sobre como os assírios tratariam os egípcios e os cuxitas. Eles seriam despidos e exibidos como insensatos perante todo o mundo. O próprio Yahweh deu e confirmou o sinal, que também foi descrito como "maravilha" e "portento" (Revised Standard Version) contra o Egito e a Etiópia. Cada vez que alguém visse o profeta caminhar sem sandálias e meio despido,  suas profecias seriam relembradas: era inútil uma aliança contra a Assíria, e certamente Judá deveria evitá-la.

A nudez se confinava ao desuso da túnica externa, em que a pessoa aparecia na túnica curta, usada perto da pele (ver l Sam. 19.24; II Sam. 6.14-20; João 21.7). Instâncias semelhantes de simbolismos proféticos foram os chifres usados por Jeremias (Jer. 27.2), o ficar deitado de lado por parte de Ezequiel (Ez. 4.4), e o cinto com o qual Ágabo se amarrou (Atos 21.11)".

Nossa conclusão, valendo-nos dos auxílios extra-bíblicos citados acima oportunamente, e fazendo a devida consideração do texto de Isaías 20.2, dentro do perfil moral e ético da Bíblia para os padrões de comportamento e santidade que o próprio Deus tencionou que o homem observasse, Bíblia esta que traz os ditames morais de Deus para a humanidade, imitados inclusive pela legislação de várias nações, torna-se inviável o considerar o fato de que Deus tenha realmente mandado que Isaías ficasse completamente nu. Além disso, ao examinar o texto de Isaías 20.2, dentro de seu contexto e ao colocá-lo em conformidade com o restante da Bíblia, temos conhecimento de que a palavra nudez ali empregada, não faz alusão à ausência de qualquer roupa por parte de Isaías e nem mesmo nos casos semelhantes mencionados no comentário, com exceção de Gênesis em si tratando do estado de inocência de Adão e Eva, porque a Bíblia se explica pela Bíblia, mas a Bíblia a si mesma não se contradiz. Por isso, é provável que o profeta foi ordenado a andar sem a sua túnica externa que o identificava como um profeta entre o povo.

Vale lembrar também que aparentes contradições podem surgir de leituras ou interpretações apressadas em relação aos textos bíblicos, como o que ocorre entre os textos:

Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor.( Romanos 12:19). Aqui a Bíblia manda dar lugar à ira.

Sabeis estas coisas, meus amados irmãos. Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar. Porque a ira do homem não produz a justiça de Deus.(Tiago 1:18-20). Mas aqui ela já fala que a ira do homem não opera a justiça de Deus?

Entretanto, uma leitura mais cuidadosa de ambos os textos os deixará em plena conformidade um com o outro e com o restante do conteúdo Bíblico.

 

isaias_200_200[1]

Devido a importância da questão levantada na postagem Examinando uma das práticas de TB Joshua à luz da Bíblia, pretendo responder aos questionamentos não por meio de comentários, mas dando uma atenção especial ao assunto em apreço, obviamente que existem outros casos semelhantes na Bíblia, mas tomaremos o de Isaías 20.2 em separado e o exame dele satisfará pelas condições aos demais...

Antes de mais nada, quero dizer que é com temor diante de Deus que retomo este assunto, e para quem acha que darei início a intermináveis debates sobre o assunto em questão, já adianto que não discuto teologia, nem Bíblia com ninguém e quem tentar fazer isso aqui no Blog ficará sem resposta. Inclusive, tenho procurado gastar mais tempo com a questão prática do Reino de Deus do que com as questões teóricas, que o envolvem, prova disto é a minha freqüência de postagens. Particularmente acredito que existem muitas pessoas perdidas pelo planeta afora deixando o mundo para uma eternidade sem Deus, sem salvação para que nós os cristãos, gastemos nosso tempo expondo conhecimentos uns perante os outros apenas para nos satisfazermos. Acredito ainda que se houvessem mais crentes verdadeiramente salvos e gratos a Cristo por sua salvação e a evidência disso é o desejo de espalhar a Palavra, do que teólogos de banco com seus intermináveis debates o inferno seria menos povoado. Portanto, que fique claro que a minha resposta não tem a intenção de “desbancar” a ninguém, mas tão somente faço uso do direito de resposta como uma nova oportunidade de trazer a Bíblia para o centro do assunto e esclarecer os próximos que lerão as postagens relacionadas. Oro para que o Espírito Santo desperte a mim e ao povo que fará parte da Seara do nosso Senhor, tirando-o detrás das bancadas de debates, dos gabinetes, das colunas de revistas, dos bancos de igrejas, dos púlpitos, da mídia, de onde quer que eles estejam acomodados fazendo o que não tem a ver com o Ide de Jesus em Mateus 28.19.

Retomo aqui a frase que usei na conclusão da matéria em questão onde digo que: os fins nunca justificam os meios, e como deixei claro, a questão não é a cura que o homem tenha ou não recebido e por meio de quem ou que poder ela teria sido realizada, isso ficou patente na postagem, porquanto o propósito do artigo foi examinar mediante a Bíblia, carta Magna do cristão, a postura de expor o nosso semelhante, nu, num momento de extrema fragilidade emocional para a televisão. Visto que naquelas condições, aquele homem  realmente aceitaria submeter-se a qualquer situação desde que sua condição pudesse vir a mudar. 

Foi dito que, os fins nunca justificam os meios, e para exemplificar na Bíblia, voltamos para a Palavra de Deus, porquanto ela é nossa regra de fé e prática, e se isso não for autêntico, desnecessária se faz qualquer argumentação. Vejamos o episódio de Atos 19.9-20, que nos dá conta dos sete filhos de um dos principais dos sacerdotes, chamado Ceva, que, sendo judeus não professos a Cristo tentaram usar o poder que há no nome Dele para expulsar demônios. O que foi que lhes aconteceu?  Foram absolutamente envergonhados! Mas alguém poderia perguntar: eles não estavam dizendo no nome do Senhor? Não disseram em nome de nenhum outro, nem ídolo, nem Cézar, nem governador, nem sacerdote, mas no nome que tem todo o poder. Entretanto, como eles não tinham pelo Espírito de Deus o direito de usar o poder daquele nome tomando atalhos, e isso sem confessarem a Cristo primeiramente em suas próprias vidas, ou seja, os fins, que eram expulsar os demônios e libertar pessoas oprimidas, não foram suficientes para explicar os meios (as formas com que agiram usando o nome que não lhes era digno usar), muito embora aparentemente fosse uma causa bastante nobre, libertar vidas opressas por espíritos imundos. Qual foi o resultado da vergonha que caiu sobre eles?  Glória a Deus por isso! Temor! Temor para a salvação daqueles que presenciaram o episódio, como nos dão conta os versículos 17 a 20.  E tudo culminou na salvação de muitas almas, não tendo ficado reduzido o episódio  a algumas cenas de exorcismo. Aliás, diga-se de passagem, tudo o que Deus faz em relação ao homem está voltado para a sua salvação, por mais que Ele atue em muitos pormenores em sua vida.  Quanto ao episódio de Marcos apontado, ele nos dá conta de que os homens conseguiam expulsar os demônios, ou seja, eram discípulos dos ensinamentos de Cristo porque usaram a autoridade do nome de Cristo para fazerem o mesmo que os filhos de Ceva não conseguiram e não foram envergonhados, doutra maneira a Palavra teria feito menção ao fato. Por isso a resposta de Jesus: Não lho proibais; porque ninguém há que faça milagre em meu nome e possa logo falar mal de mim.

Quanto ao comentário que traz menção a homens na Bíblia profetizando “nus”, ou andando “nus”, devemos tomar cuidado com as nossas idéias pré-concebidas ao nos referirmos à Palavra de Deus, e este é um dos princípios basilares da Hermenêutica. Muito pelo contrário, devemos lembrar que existe um abismo cultural entre o povo e as terras bíblicas e os tempos hodiernos, e procurar compreender os textos em seu contexto histórico, pelo prisma do autor e dos receptores da época, bem como seus propósitos. 

O dicionário Bíblico Wycliffe traz a seguinte matéria sobre as vestimentas dos judeus, (como o assunto é bastante extenso, me aterei apenas a questão das vestes internas e externas).

A peça de vestuário interna. A túnica ou blusa (heb. k'tonet', gr. chiton) era uma peça principal e comum usada sobre a pele por homens e mulheres; era longa e um tanto justa (e não deve ser traduzida como "casaco"). O material usado era couro, tecido de crina, lã, linho ou, nos tempos modernos, geralmente algodão. Esta peça do vestuário era provavelmente feita em duas partes laterais, que eram costuradas juntas. O tipo mais simples era sem mangas, chegando apenas até os joelhos. Uma faixa ou cinta usada ao redor da cintura permitia que a pessoa colocasse a parte mais baixa da túnica embaixo da mesma para poder movimentar-se livremente (Jr 1.17; 1ª Pe 1.13). Um outro tipo usado pelas pessoas mais favorecidas chegava aos punhos e tornozelos. Este era provavelmente o tipo usado por José (Gn 37.3,23), Tamar (2 Sm 13.18), e pelos sacerdotes (Ex 28.4,39). A peça de vestuário que Jacó deu a José (Gn 37.3), embora referida como "túnica de várias cores", pode bem ter sido uma peça com mangas. Esta pode ter sido também uma marca da aristocracia, já que as classes operárias geralmente usavam túnicas sem mangas. A peça de roupa interna era usada tanto por mulheres como por homens (Ct 5.3), embora não houvesse dúvida na diferença de estilo e de padrão. A túnica (chiton, traduzida como "casaco" na versão KJV em inglês) é a peça de vestuário mencionada em Lucas 3.11; 6.29; 9.3 (também em passagens paralelas), e em Atos 9.39. As classes inferiores frequentemente usavam apenas a túnica na época do calor. Os membros das classes mais elevadas usavam uma peça de roupa externa quando recebiam visitantes ou quando saíam, embora pudessem usar apenas a túnica enquanto estivessem em casa. Um tipo particular de peça de vestuário interna era o sadin, um pedaço de linho branco de boa qualidade para ser enrolado ao redor do corpo (Jz 14.12,13; Pv 31.24; Is 3.23). O Termo "nu" era frequentemente usado como uma referência aos homens que estivessem vestidos somente com a túnica. Isto foi dito sobre Saul (l Sm 19.24) quando tirou suas peças de roupa exteriores; de Isaías (Is 20.2), depois de ter tirado sua capa; de um guerreiro (Am 2.16) quando tirou sua capa militar; e de Pedro (Jo 21.7) quando estava sem sua capa de pescador.

A túnica ou manto externo (heb. mf'íi). Esta era uma túnica mais folgada e mais longa, que chegava até os pés. Era aberta na parte superior de forma que podia ser vestida pela cabeça. Também tinha orifícios para a inserção dos braços. Cobrir uma mulher com a "saia" de alguém (kanap) ou com a borda (ou orla) do manto de alguém (l Sm 15.27; 24.4,5) simbolizava proteção e o direito ao casamento (Rt 3.9). Levantar a orla das vestes do pai (ou "descobrir a nudez do pai") significava deitar-se com a mãe ou com a madrasta, o que era proibido (Dt 22.30; 27.20). As Escrituras indicam o uso da túnica ou manto pelos reis (l Sm 24.4), pelos nobres (Jó 1.20), pelos profetas (l Sm 28.14), e algumas vezes pelos jovens (l Sm 2.19). Contudo, estas passagens podem referir-se a qualquer manto vestido sobre a peça de vestuário interna. Todavia, quando duas túnicas são mencionadas como sendo usadas ao mesmo tempo (Lc 3.11), a segunda seria a túnica externa. Embora os viajantes em geral usassem duas túnicas, os discípulos eram proibidos de fazê-lo (Mt 10.10; Lc 9.3). A túnica sem costura usada por Nosso Senhor (Jo 19.23) pode ter sido deste tipo externo. Evidentemente, esta peça de vestuário era opcional, sendo usada pelas classes mais elevadas, ou ocasionalmente substituídas pela peça de roupa externa.

O Dicionário de Teologia do Antigo Testamento traz a seguinte explicação para a expressão nu:

'ãrôm. Nu. Esta palavra deriva de 'úr II, "estar à vista das pessoas", e nesse caso seria uma forma secundária de 'êrõm, "nu", ou então da raiz 'ãrâ, "estar nu" (q.v.), da qual provavelmente é uma variante. Conquanto muitas vezes a palavra indique nudez (Gn 2.25; l Sm 19.24; Is 20.2; Mq 1.8), também indica a condição de estar exposto, isto é, estar à vista das pessoas, o que aponta para uma falta de encobrimento e disfarce (Jó 26.6) e de recursos (Am 2.16).

Frequentemente a nudez indicada por essa palavra tem um significado simbólico. A ausência de constrangimento por parte de Adão e Eva em face de sua nudez sugere inocência (Gn 2.25). Isaías andou (um verbo frequentemente empregado com 'ãrôm) nu (provavelmente não uma nudez completa, mas simplesmente o estar sem as roupas exteriores; veja-se KD acerca de Is 20) como um presságio de prisioneiros egípcios sendo levados cativos pelos vitoriosos assírios (Is 20.2, 3, 4). Da mesma forma, segundo o relato de l Samuel 19.24, Saul provavelmente não esteve nu, mas, pelo poder do Espírito de Deus, tirou os mantos reais e especialmente a espada, de modo que Davi pôde ir embora em segurança. A nudez dos pobres é uma indicação de opressão (Jó 24.7, 10; Is 58.7). Sua capa fora tomada como depósito em garantia (Jó 24.9) e não fora devolvida à noite (Êx 22.25, 26, 27 [26, 27, 28]). É possível que Oséias 2.3 esteja aludindo a um costume mencionado nas tábuas de Nuzi, segundo o qual as crianças eram chamadas a arrancar a roupa da mãe quando ela era mandada embora por causa de adultério. De igual forma o Senhor procederia com sua esposa adúltera, Israel.
Este vocábulo também indica a falta de recursos. Jó, após ser afligido por Satanás e agora reduzido a nada, comenta que assim saiu do ventre de sua mãe e assim voltaria ao ventre da terra (Jó 1.21 = Ec 5.15 [14]). Amos 2.6 descreve um homem que, quando depara com a visitação divina, se vê despojado de sua coragem.

Um uso interessantíssimo da palavra é a afirmação de que o Sheol está nu diante de Deus, ou seja, está ao alcance da jurisdição e do interesse divinos (Jó 26.6; cf. SI 139.7, S; Pv 15.11; Am 9.2). O conhecimento e o cuidado divinos alcançam até mesmo o mundo dos mortos.

A Bíblia de Estudo Pentecostal traz em sua nota de Estudo em Isaías 20.2:

Isaías… Sinal e prodígio. Isaías devia aparecer em público, sem as suas vestes externas durante três anos, como uma parábola viva ou sinal daquilo que ia acontecer ao Egito e a Cuxe, quando a Assíria os levasse em cativeiro. A mensagem tinha o propósito de advertir Judá para não confiar em aliança com o Egito, e exortá-lo a depender do seu Deus.

O Antigo Testamento Interpretado Versículo por Versículo de R.N Champlin, comenta semelhantemente o texto em Isaías 20.2:

Isaías deveria desnudar-se, mas provavelmente não de maneira completa. É difícil imaginar o profeta andando em público, durante três anos, completamente despido! Antes, durante esse período, ele não usou a túnica externa de pano de saco (que também" foi a veste usada por Elias; ver II Reis 1.8). E o profeta também andava descalço. Essa era uma lição objetiva sobre como os assírios tratariam os egípcios e os cuxitas. Eles seriam despidos e exibidos como insensatos perante todo o mundo. O próprio Yahweh deu e confirmou o sinal, que também foi descrito como "maravilha" e "portento" (Revised Standard Version) contra o Egito e a Etiópia. Cada vez que alguém visse o profeta caminhar sem sandálias e meio despido,  suas profecias seriam relembradas: era inútil uma aliança contra a Assíria, e certamente Judá deveria evitá-la.

A nudez se confinava ao desuso da túnica externa, em que a pessoa aparecia na túnica curta, usada perto da pele (ver l Sam. 19.24; II Sam. 6.14-20; João 21.7). Instâncias semelhantes de simbolismos proféticos foram os chifres usados por Jeremias (Jer. 27.2), o ficar deitado de lado por parte de Ezequiel (Ez. 4.4), e o cinto com o qual Ágabo se amarrou (Atos 21.11)".

Nossa conclusão, valendo-nos dos auxílios extra-bíblicos citados acima oportunamente, e fazendo a devida consideração do texto de Isaías 20.2, dentro do perfil moral e ético da Bíblia para os padrões de comportamento e santidade que o próprio Deus tencionou que o homem observasse, Bíblia esta que traz os ditames morais de Deus para a humanidade, imitados inclusive pela legislação de várias nações, torna-se inviável o considerar o fato de que Deus tenha realmente mandado que Isaías ficasse completamente nu. Além disso, ao examinar o texto de Isaías 20.2, dentro de seu contexto e ao colocá-lo em conformidade com o restante da Bíblia, temos conhecimento de que a palavra nudez ali empregada, não faz alusão à ausência de qualquer roupa por parte de Isaías e nem mesmo nos casos semelhantes mencionados no comentário, com exceção de Gênesis em si tratando do estado de inocência de Adão e Eva, porque a Bíblia se explica pela Bíblia, mas a Bíblia a si mesma não se contradiz. Por isso, é provável que o profeta foi ordenado a andar sem a sua túnica externa que o identificava como um profeta entre o povo.

Vale lembrar também que aparentes contradições podem surgir de leituras ou interpretações apressadas em relação aos textos bíblicos, como o que ocorre entre os textos:

Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor.( Romanos 12:19). Aqui a Bíblia manda dar lugar à ira.

Sabeis estas coisas, meus amados irmãos. Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar. Porque a ira do homem não produz a justiça de Deus.(Tiago 1:18-20). Mas aqui ela já fala que a ira do homem não opera a justiça de Deus?

Entretanto, uma leitura mais cuidadosa de ambos os textos os deixará em plena conformidade um com o outro e com o restante do conteúdo Bíblico.

 

1 Comentário:

Reginaldo (eginaldosilva_2@msn.com) disse...

O incio do texto em "verde" já fez me interessar pelos comentários do da passagem biblica Is 20:2 que esrtava procurando. Não fazendo juízo apenas por causa de alguma palavras, mais transpareceu um servo do Senhor compromissado. Que o Senhor continue abençoando, e quando possível continue abordando questões bíblicas.

 

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